30/07/2010
Uefa Champions League: cifras astronômicas e grandes oportunidades
Não é preciso conhecer profundamente o mundo do futebol para saber que os verdadeiros apaixonados pelo esporte torcem e sofrem muito mais pelo próprio clube do que pela seleção do país de origem. Talvez por isso a Uefa Champions League, ou Liga dos Campeões da Europa, seja não apenas o campeonato de clubes mais importante do mundo, mas também o mais lucrativo.
O torneio, que reúne os times mais prestigiados do Velho Mundo, nasceu em 1955 e foi logo batizado de Copa dos Campeões da Europa. A ideia de promover a disputa não foi da própria Uefa, mas de jornalistas: Gabriel Hanot e seu colega Jacques Ferran, ambos do periódico francês L'Equipe, criaram uma prova em que rivalizavam não necessariamente os campeões de cada nação, porém clubes especialmente convidados. O critério de seleção era a capacidade de causar comoção entre os torcedores - criar oportunidades de lucro já estava no radar dos primeiros organizadores.
Em 1992, a Copa dos Campeões teve seu nome trocado para Champions League e passou a incluir uma fase de grupos, diferente das tradicionais eliminatórias. O número de clubes competidores passou de oito para 32 - novamente um artifício para gerar exposição. Em 2010, a mesma estratégia fez novas regras. A partir desta temporada, 22 clubes classificam-se diretamente para a fase de grupos, em vez de 16.
Mais do que um grande torneio, a Uefa Champions League é um grande produto. Os patrocinadores másteres (neste ano, Heineken, Sony, Ford, Mastercard e Vodaphone) são superprotegidos pela Uefa. Mais até que os cotistas da própria Fifa na Copa do Mundo. Não existe, por exemplo, espaço publicitário associado a transmissão dos jogos que não seja para os patrocinadores másteres. Os materiais promocionais e de divulgação são desenvolvidos dentro de elevados padrões de marca pela Uefa e tudo precisa ser devidamente aprovado por uma agência de marketing credenciada. Até um hino oficial foi desenvolvido, com as vozes de um coral entoando o These Are the Champions... a cada abertura de jogo na competição.

O Real Madrid é o clube que mais acumulou títulos - ao todo, levou nove troféus para casa -, seguido do Milan (sete) e do Liverpool (cinco). O estádio Santiago Bernabéu, casa do Real, foi palco da decisão entre Internazionale de Milão e Bayern de Munique, no sábado (após, portanto, a conclusão deste texto). Essa foi a primeira vez em que a final foi realizada no fim de semana. A manobra, evidentemente, teve como alvo a audiência do fim de semana e, claro, maiores cotas de patrocínio.
Quando divulgados, os números da partida devem repetir ou até superar os feitos da temporada anterior. Em 2009, a decisão foi assistida por 109 milhões de pessoas, número maior do que os 106 milhões de telespectadores do Super Bowl (o jogo final do campeonato de futebol americano) e inferior apenas à audiência da abertura dos Jogos Olímpicos e da final da Copa do Mundo. No Brasil, estiveram expostas à Uefa cerca de 34 milhões de pessoas, de acordo com dados do Ibope.
As cifras arrecadadas pelos clubes são ainda mais impressionantes. Na temporada que se encerrou, cada participante levou 3 milhões de euros e outros 2,4 milhões de euros por classificação na fase de grupos. Cada vitória valia 800 mil de euros e cada empate, 400 mil de euros. Os times que disputaram as quartas-de-final arrecadaram 2,5 milhões de euros. Semifinalistas ficaram com mais 3 milhões de euros; o vice-campeão, com 4 milhões de euros. O clube vitorioso, além de levar o belo European Cup para casa, saiu com outros 7 milhões de euros no bolso. Isto significa que o Bayern (sete vitórias, um empate e quatro derrotas) arrecadou 16,9 milhões de euros, mais 7 milhões de euros se tiver sido campeão; e a Inter de Milão, 17,5 milhões de euros, mais 7 milhões de euros caso tenha ganhado o título.
Estimativas indicam que o torneio, transmitido em 70 países e comentado em 40 idiomas, arrecadou, apenas com transmissões televisivas, 337,8 milhões de euros. Cada federação terá o seu quinhão desse montante, a ser novamente repartido entre os clubes. E não para por aí: 75% dos lucros totais provenientes dos direitos de cobertura e contratos comerciais negociados pela Uefa, até o limite de 530 milhões de euros, serão distribuídos pelos clubes.
A Uefa é a grande vitrine do futebol mundial. Economicamente, é ainda mais expressiva do que a Copa do Mundo, já que acontece anualmente. É onde os grandes campeões nacionais serão testados e, principalmente, terão seus craques colocados à prova. Valores de jogadores podem se tornar astronômicos depois de desempenhos fora do comum, como o ocorrido com Cristiano Ronaldo. Após ajudar o Manchester United a vencer a temporada 2007/2008 do torneio, o português foi vendido para o Real Madrid por 93 milhões de euros, valor mais caro já pago por um jogador em toda a história do futebol. Nesta temporada, novamente talentos futebolísticos brilharam e certamente vão fazer tilintar mais moedas nos bolsos de quem souber enxergar e aproveitar as boas oportunidades. É esperar para ver.
Fonte: Meio e Mensagem