23/07/2010
Depois de transportar a seleção brasileira, ônibus gaúchos integram o legado da África do Sul
O Mundial de 2010 já passou, mas os gaúchos continuam presentes na África do Sul. Apesar de não ser patrocinadora do evento, a Marcopolo, de Caxias do Sul (RS) fabricou mais de 460 (cerca de 80%) dos 570 ônibus rodoviários que a Fifa encomendou para a competição. De modelo mais simples, outros 250 veículos exemplificam o legado de uma Copa do Mundo, circulando pelas ruas de Joanesburgo, Porto Elizabeth e Cape Town.
Em setembro de 2009, depois de vencer a licitação da Fifa e do governo africano, a empresa precisou correr para produzir mais de 800 veículos. Por isso, apesar da Marcopolo também ter fábrica em Johannesburgo (responsável por 10% da produção global da marca, presente em 1300 dos 2000 ônibus que o mercado sul-africano absorve por ano), boa parte da produção aconteceu no Brasil, mais próximo das indústrias de componentes. Ao sair de Ana Rech, na serra gaúcha, os veículos tiveram o interior montado – o ônibus da seleção canarinho, por exemplo, já saiu do Brasil com poltronas de couro, sofá, mesa para jogos e DVD. Para chegar em solo sul-africano, foram 20 a 30 dias de navio. E só lá os ônibus receberam rodas e motor.

Segundo Paulo Andrade, diretor comercial da Marcopolo para o mercado externo, a licitação dos ônibus que atenderão a população terá mais quatro etapas, uma a cada ano, devendo terminar em 2013. E já melhorou os resultados da empresa. Em 2009, por causa da crise mundial, a empresa fechou duas fábricas em Portugal e Rússia, vendo sua produção anual cair de 21.811 para 19.834 ônibus – ou 11%. Em 2010, a expectativa é fabricar 24.700 ônibus – 13,24% a mais do que antes da crise.
Perguntado sobre a possibilidade de a Marcopolo patrocinar o Mundial de 2014, Andrade desconversa. Mas enxerga, sim, oportunidades para que a empresa entre na onda de crescimento que envolve um mega-campeonato. Para ele, apesar de ser melhor do que o transporte urbano da África do Sul, onde imperam os táxis-vans ilegais, o Brasil deve ganhar bastante com a implantação dos BRTs (Transporte Rápido de Ônibus), que têm corredores e estações de integração exclusivas: “hoje, existem de 18 a 20 projetos de BRT no Brasil”. Em Porto Alegre, o projeto prevê a instalação de três grandes portais de passageiros, retirando os terminais de ônibus do centro da cidade.

Fonte: De Olho em 2014