22/07/2010
Obras para o Mundial valorizam região "esquecida" pelo mercado imobiliário de Porto Alegre
| Gilberto Cabeda diz que comprar imóveis na zona sul é um bom negócio |
É comum, em Porto Alegre, ouvir dizer que a cidade cresceu de costas para o Guaíba. De dois anos para cá, com o surgimento de um novo shopping e do e Museu Iberê Camargo, o valor dos imóveis na região onde fica o estádio Beira-Rio aumentou consideravelmente. Nesta entrevista, Gilberto Cabeda, presidente do Secovi-RS (Sindicato da Habitação), que representa as imobiliárias do estado, declara: as obras que preparam a capital para o Mundial de 2014 estão entre as razões para o crescimento.
O senhor confirma que há uma valorização dos imóveis na zona sul de Porto Alegre, principalmente em volta do estádio Beira-Rio?
A valorização pode ser confirmada em função de várias coisas. O Barra Shopping Sul [inaugurado em novembro de 2008] trouxe aumento da demanda, como também o surgimento do Museu Iberê Camargo [em maio do mesmo ano]. São empreendimentos que fizeram com que a zona sofresse um processo de valorização, o que deverá se acentuar com a duplicação das avenidas nas bordas do Guaíba, em função da copa de 2014, o que vai melhorar substancialmente a mobilidade de veículos naquela região. Não é bem a Copa que traz a valorização, mas os equipamentos e as providências que são tomadas em função da copa.
A zona sul sempre foi considerada distante para morar. Isso está mudando?
A zona norte está mais perto do país, das ligações com os demais estados da federação. E a zona de sul de Porto Alegre tem uma característica: praticamente não leva a lugar nenhum. Ela sempre vai ter um desenvolvimento menor que a zona norte. Mas, na medida em que, na zona norte e nos municípios circunvizinhos, já se tem bastante dificuldade de obter terrenos e áreas suficientes para a construção civil, a zona sul também aproveita essa progressão, com mais oferta de imóveis. E ainda incentivada por esses vários empreendimentos, ela vai ter um desenvolvimento, na média, maior do que o da zona norte.
O senhor tem números?
Não, por que é mera previsão. Temos que ver isso acontecer.
A procura pela zona sul tem aumentado?
O aumento da oferta em alguns bairros é substancial. Toda vez que se encontra mais oferta, é porque existe mais procura. Se não os construtores não se disporiam a oferecer mais obras. Entre os imóveis usados, a gente tem notado uma permanência. A oferta vai aumentar daqui há dois ou três anos, quando esses vários empreendimentos que estão sendo lançados agora cheguem a sua maturação. Acredito que em dois ou três anos, vá ficar muito saliente a região dos bairros Cristal, Vila Assunção e Ipanema.
E no morro em frente ao Beira-Rio?
O morro tem muito pouca disponibilidade de terra para construção, com áreas públicas. Ali nunca vai ser substancial. Hoje já se encontra condomínios horizontais em bairros mais distantes da zona sul, como em Belém Novo. Já se sabe que esse lado vai ter muita oferta e disponibilidade de imóveis através de lançamentos que vão ser feitos. Nesses últimos dois anos, houve um aumento bastante significativo de ofertas nessa região. Através de anúncios, vemos que vai aumentando pouco a pouco.
O quanto valorizaram os imóveis usados na zona sul?
O valor do metro quadrado privativo na zona sul por ser calculado entre 2 e 4 mil reais o metro quadrado. Há dois anos, dependendo da qualidade da construção e da localização, eu iria encontrar um apartamento de três dormitórios, para a classe média, por valores inferiores a 200 mil reais. Hoje, vou encontrá-lo até por 350 mil reais.
Para quem vai comprar imóveis na zona sul, é um bom negocio?
Não tenho duvida nenhuma de que quem comprar na zona sul, principalmente depois desses vários equipamentos que foram e serão instalados por lá, vai ter um imóvel que, em um ou dois anos, ao fim da construção, terá valorizado de 20% a 40%.
Fonte: De Olho em 2014